Os Segredos do Paciente e outras Resistências

28/01/2012

Quando Reich descobria as resistências do paciente, confrontava-os com isso. Considerava que na pratica podíamos perder o efeito terapêutico das informações analíticas quando essas resistências permanecessem intocáveis. Como começamos a ver no artigo passado, as resistências aparecem em todo o percurso do tratamento e geralmente são muito variadas.

Segredo do Paciente: se um indivíduo procura a análise e guarda um segredo conscientemente, é óbvio que está resistindo; esta é uma forma especial de resistência e o seu manejo exige técnicas especiais. O segredo pode ser um fato que o paciente deseja manter, ou até mesmo, uma palavra que é incapaz de dizer; esta é uma forma de resistência, e deve ser respeitada, não esmagada, no entanto, se o paciente mantiver algo em segredo, a análise fracassará pois todas as outras resistências se engancharão no segredo, aumentando a barreira na relação terapêutica;

Uma de duas coisas poderá estar acontecendo com o paciente:

1. ele teme a reacção do terapeuta ao saber do seu segredo e poder eventualmente desprezá-lo;

2. ele despreza o terapeuta a ponto de não conseguir fazer dele seu confidente.

O Paciente Não Tem Vontade de Falar: o paciente está consciente que nada tem a dizer; esta afirmação geralmente é seguida de silêncio; a nossa tarefa será a de investigar o “porquê” ou o “quê” dele não ter vontade de falar. É uma tarefa semelhante à investigação que provoca o “nada” consciente na mente do paciente silencioso.

Silêncio Absoluto: é a forma de resistência mais nítida; significa que consciente ou inconscientemente o paciente esta numa atitude de negação. Na sua mente não há nada, no entanto precisamos questionar “o quê” ele transformou em”nada”. Embora ele não diga nada, a sua postura, a sua expressão facial e os seus movimentos falam por ele; gestos como tirar a aliança ou anel de um dedo e passar para outros dedos, poderão estar mostrando o embaraço do paciente pelos seus pensamentos sexuais para com o terapeuta ou então sobre a infidelidade conjugal; o silêncio indica que o paciente não tem consciência desses impulsos e que está havendo uma luta entre um impulso para vir à tona tudo e outro para permanecerem enterrados tais sentimentos.

O silêncio pode ter também outros significados:

1. pode ser a repetição de um fato passado, no qual este desempenhou papel importante;

2. pode descrever a sua reacção à cena primária; nesta situação o silêncio actua não apenas como resistência, mas também como conteúdo da parte de uma recordação.

 

Estela Rodrigues

 

 

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