O Conceito de Deus para Wilhelm Reich

28/01/2012

No artigo passado, percebemos como a visão de Reich enfatiza um espaço preenchido por uma energia primordial, fonte da qual todas as formas de matéria haviam derivado. Essa energia cósmica, percebida fora do organismo, era idêntica à energia biológica “vital”, percebida dentro de nossos próprios organismos.

A sensação de unidade entre Homem e natureza, que caracterizava a experiência estética de muitos artistas, que dão vida aos ‘Sentimentos Oceânicos’, vivenciados em estado de êxtase religioso, ou quando se está profundamente apaixonado ou fortemente impressionado por algum evento natural, corresponderia a essa identificação básica da energia dentro e fora do organismo. As próprias religiões falam exaustivamente disto; é o caso do cristianismo que apela ao “reino de Deus” dentro de nós; de Deus descrito como poder que rege os céus, criador e mente do universo, presente em tudo e em todos.

Forte e implacável crítico do misticismo das religiões organizadas, Reich conhecia as formas como esse mesmo misticismo desaguava em ortodoxia, em pressão sobre a vida emocional dos crentes, e em particular sobre as suas vidas sexuais.

No livro “O Assassinato de Cristo”, Reich afirma que o maior crime que um adulto pode cometer é opor-se a uma criança. Para ele as crianças são os seres mais sábios do mundo e devem ser preservados em seus impulsos e desejos naturais, para que estes mais tarde não se tornem impulsos secundários e pervertidos. O assassinato de Cristo, seria o que aconteceria sempre que bloqueássemos o impulso natural da criança.

Nesse livro também entendeu Deus como o conceito religioso representativo das leis naturais fundamentais do processo de energia cósmica, sendo que Cristo era símbolo de um papel de incorporação dos processos naturais da vida emocional do Homem: a pessoa harmoniosa, saudável e auto-regulada, isto é,  a corrente de vida sem perturbação, como a de um bébé recém-nascido.

Descrevia a “consciência cósmica” – atingida através do orgasmo – como o nível em que a pessoa se identificava com o universo inteiro; a percepção consciente desse nível corresponderia ao verdadeiro estado místico, no qual todas as fronteiras e dualismos são transcendidos e toda a individualidade se dissolve na unicidade universal, indiferenciada e pulsante. No dizer de Reich, os místicos e os esquizofrénicos encontram-se no mesmo oceano, mas os primeiros nadam enquanto os outros se afogam.

Reich apresentava assim a sua busca pela naturalização da religião, despindo-a do sentido místico; encontrando em Deus a permanência de uma percepção intuitiva, subjectiva e qualitativa de uma unidade fundamental subjacente a todas as coisas.

 

Estela Rodrigues

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