O Carácter Psicopata

28/01/2012

Se considerarmos as fases de desenvolvimento da libido que foram descritas pelo Freud,  é na fase “anal” a partir dos 2 anos,  em que a mãe manipula o filho, com maior ou menor consciência (a  imagem da mãe já é mais completa e mais delineada); nas fases anteriores, tanto na fase visual (esquizóide) como na fase oral, a imagem da mãe ainda é fragmententada.

Na fase anal, à qual se reporta o aparecimento deste carácter, sucede que as crianças que ficam fixadas neste estágio, são transformados pela sua mãe numa espécie de “príncipe encantado”.  A relação da mãe com esse filho é extremamente sedutora, transformando o filho no seu  “falo” (a mãe do masoquista tem mau humor).

Disto sucedem traços de carácter em que a necessidade de afecto da pessoa e o seu medo de precisar deste mesmo afecto se ligam ao facto de ter sido manipulada pela mãe, interferindo em todas as suas relações.

Tudo o que se passa na fase Anu-Uretral esta ligado a um processo de retenção e expulsão (tanto físico como psicológico) – porque já existe uma vontade (na fase oral não existe vontade):

O Psicopata é Expulsivo – expulsa os afectos e os contactos;

O masoquista é o contrário, é Retentivo – retém os afectos e os contactos;

O Psicopata tem a sua couraça no peito;

O masoquista tem a sua couraça na pélvis

Quando a mãe valoriza demasiadamente a capacidade do filho “expulsar as suas fezes”, que psicologicamente se entende como a produção e as realizações da criança no mundo, temos um quadro que leva à psicopatia, caso contrário, quando a criança é desvalorizada continuamente, cria-se um quadro masoquista.

Traços, Atitudes e Sintomas do Carácter Psicopata 

  1. a) Tem muito medo da submissão

  2. b) Luta pelo poder social (não confundir com sedução sexual)

  3. c) Nega os sentimentos

  4. d) Posição de ataque (medo de ser atacado)

  5. e) Olhar forte – paranóico – controla o outro pelo olhar para não ser atacado

  6. f) Postura de enfrentamento no peito (militar) – Isso é reactivo porque inverte o medo (a verdade apavora-o)

  7. g) Tanto pode ter um tipo de estratégia mais dura e confrontativa ou ter uma postura mais “macia” e simpática

  8. h) Encontramos nele traços ligados à ordem, à limpeza, mas também ao que é corrupto

  9. i) Oscila entre a avareza e o esbanjamento

  10. j) Adia as coisas, sensação de não ter concluído bem uma obra

  11. k) São controladores

  12. l) Há casos em que este tipo de carácter teve prazer em cheirar os seus próprios excrementos na infância, sendo que na idade adulta isto se pode tornar um fétiche.

 

Na  Análise Corporal sobressaem:

1) Olhos brilhantes porém sem pulsação (sem emoção)

2) Muita energia na cabeça maior capacidade mental para manipular e controlar.

3) Pernas frágeis, pouca energia

4) Corte pélvico

5) Braços frágeis – dificuldade para fazer as coisas

6) Peito expandido, energia bloqueada.

7) Movimenta-se muito – habilidade da musculatura ligada à fase anal.

No psicopata a energia é muito suspensa (peito) porque a mãe manipulou-o e ele tem que se conter – reflexo do medo que tem de cair na necessidade do afecto.

Cria uma reacção contra-fóbica, pois tem necessidade de afecto e medo de precisar por ter sido manipulado pela mãe.

A sexualidade é evitada para não se entregar à “mãe devoradora”  (muita energia no peito e pouca energia na pélvis). Tem ódio do pai porque permitiu que a mãe o manipulasse – ele ficou à mercê da mãe. O pai é frágil.

Relação com o Psicoterapeuta

O paciente psicopata vai tentar manipular o terapeuta a qualquer custo. Vai tentar fazer com o terapeuta o que os pais faziam com ele tal como jogos, manipulações, subtilezas. A mãe transforma o filho no príncipe encantado e deveria passar pela dor da não realização desta fantasia ou desejo, para que o filho se possa libertar.

Isto será revivido na terapia e essa dor será elaborada pelo terapeuta, pois provavelmente essa mãe não elaborou essa perda. O psicopata manipula o outro (e o psicólogo também) pelas brechas do seu carácter. O inconsciente do paciente capta o inconsciente do psicólogo, interferindo nos desejos dele (p.e., o psicólogo irá acreditar que ele é o homem ideal).

O psicólogo deve ser sincero, participar neste jogo do psicopata e depois sair conscientemente.

No Trabalho Corporal aconselham-se os seguintes exercícios: 

  1. a) Grounding

  2. b) Fortalecer as pernas para ele poder deprimir e aguentar a depressão

  3. c) Trabalhar com respiração centralizando a abertura do peito

  4. d) Exercício de cair

  5. e) Chutar para fortalecer as pernas

  6. f) Trabalhar os olhos para a sua paranoia diminua

     

     

     

     

     

     

     

     

     

Estela Rodrigues

 

 

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