O Carácter Passivo-Feminino

28/01/2012

 Neste carácter o Tipo de Couraça define-se por existirem dois tipos físicos:

– Tem o corpo relativamente atlético em “V”

– Tipo arredondado

Existem tensões severas nas musculaturas profundas, em geral.  Superficialmente é mole e macio. Os músculos intercostais e garganta, conteem a energia. O movimento de engolir é constante; os músculos adutores externos e os costureiros estão carregados de êxtase, doloridos ao toque. O abdómen é tenso e nádegas aparentemente moles com contenção profunda em todo assoalho pélvico e anal. À partida tem uma oralidade que se mistura à analidade manifestando-se através das exigências de tolerância e bons tratos. A paralisia passiva está ancorada no medo.

Poderão aparecer reacções fóbicas devido a fragilidade do Ego, como por exemplo eritrofobia (ficar vermelho). Sempre que a fobia aparece num quadro caracterial, já estruturado, indicando-nos que um traço e uma atitude deixou de fazer parte do carácter, é como se aquela porção do ego tivesse se enfraquecido e  perdido seu impulso secundário (contacto substituto) e a fobia representasse aquilo que ficou no seu lugar. É como se as pulsões na camada do “ID” tivessem recuperado essa parte de energia ligada ao impulso encouraçado.

No caso do carácter passivo, o caminho seria este:

  1. Ego fraco (identificação com a mãe, ou seja, um ego feminino dentro de uma cultura machista, vai aparecer a fobia que é a cisão da personalidade que perdeu a unidade).

  2. Em seguida, desenvolve-se o traço de carácter que é a forma do indivíduo reunir a cisão e viver unido cindido.

Só que essa reunião dos impulsos é neuroticamente representada por traços caracteriais. Portanto um indivíduo passivo feminino poderá procurar tratamento tendo por queixa um estado fóbico qualquer, bem como outras estruturas de carácter que estejam a falhar em suas defesas típicas.

Compreensão Caratero-Analítica

Quando o passivo feminino não descarrega a sue neurose para a homossexualidade aumenta muito seus sentimentos de desamparo. A agressão neste caso é muito bloqueada pela ansiedade de castração e a regressão é impedida pelo medo da homossexualidade. A defesa principal é mais ferrenha e o trabalho é mais lento.

Resistência Básica

Será a constante cordialidade que encobre o ódio pelo pai e o amor pela mãe.

Primeira Camada

Trabalhar sua constante transferência positiva para com o analista. Ele trará sempre sonhos, falará até de seu Édipo e de seus desejos pela mãe, porém sem o afecto correspondente. O analista não deverá interpretar nada que seja profundo porque não vai adiantar. Ele concordará mas não adiantará. Apontar conscientemente sua prontidão em colaborar e concordar sempre. Aquilo que ele mostra compreender tão bem, é o que está mais distante do seu afecto. Pelo medo da autoridade e castração, ele nunca irá provocar o analista. O medo, no entanto, está desvinculado do Ego e bloqueado pela couraça. No lugar, transformou o medo em compreensão racional para sobreviver. O Ego buscou um correspondente racional para um medo irracional. É isto que o analista vai ter que desmontar para que apareça o ódio pelo pai.

Energeticamente

Desenvolver no paciente a mobilidade da agressão por movimentos de bater, dar pontapés, gritar e socar. O trabalho principal é com a agressividade e o medo ancorado no anel visual. Deve-se mobilizar o abdómen, porque os músculos recto-abdominais são tensos e contém o ódio por contenção anal.

Reviver o medo da castração vai significar a reactivação dos impulsos genitais pela mãe. Sua musculatura principalmente nas costas, à primeira vista, parece mole, mas se aprofundarmos, encontraremos tensão.

Trabalhar intensamente com movimentos de birra porque ele precisou de a conter para se sentir amado, apresentando manifestamente no actual o “bonzinho”.

 

O que acontece em termos da situação edípica na dinâmica de relação com a mãe e o pai?  O carácter passivo-feminino atinge em termos de desenvolvimento a fase fálica com forte motivação, mas a força da mãe acaba por o deter, fazendo com que ele. retorne à fase anal pelas gratificações que lhe dá nesta fase.

Na sua génese, esta estrutura começa começa a formar-se logo após o retrocesso à posição anal, depois de ter atingido a fase fálica. Pelo medo da castração, retira o amor pela mãe e o coloca-o no pai de forma reactiva, passando a odiar a mãe para se defender do amor que tem por ela.

No início da estruturação ocorre o seguinte:

1º Ama a mãe e odeia o pai

2º Ama o pai e odeia a mãe

Ao  nível de Ego,  a identificação é com a mãe (a criança ocupa o lugar da mãe ao lado do pai) e ao nível do Superego e Ego Ideal com o pai; sendo que quando o pai é muito severo também se desenvolve uma identificação com ele ao nível do Superego, tornando-se uma pessoa crítica e passiva.

A identificação com a mãe tem duas funções:

  1. A mãe é o objecto que frustra

  2. É o objecto de medo

Este tipo caracteriológico é específico do homem, embora a passividade seja uma forma de actuar em vários carácteres.

Traços, Atitudes e Sintomas 

1) Tem ideias pacifistas mas no fundo é um rebelde

2) Não é vencido mas também não toma decisão

3) Teimoso

4) Modesto e educado

5) Retraído

6) Fraco, suave e delicado

7) Lembra o homem histérico, mas difere deste por ser despeitado, manhoso, teimoso e cheio de desprezo pelas mulheres

8) Abriga uma víbora dentro de si. Este traço é o resultado da raiva reprimida e esmagada que surge da necessidade de concordar sempre

9) É cordialmente irritante

10) A sua raiva anal é manifesta pelos desejos de receber bons tratos das mulheres como a mãe fazia na sua fase anal

11) O sintoma predominante deste tipo é a ejaculação precoce pelo medo da castração. É um dos tipos mais impotentes sexualmente

No que respeita a sua sexualidade, odeia as mulheres embora se mostre atencioso; desvia os seus impulsos genitais para a entrega anal ou para o felácio; funciona sexualmente através da angústia genital e das fixações pré-genitais, a saber:

— Sadismo reprimido e homossexualidade

— Angustia masturbatória e medo de castração

O passivo feminino sempre se afasta para não gostar da mulher. O sadismo disfarçado aparece não só na ejaculação precoce que contém medo da castração e ódio reactivo (amor incestuoso), como também no movimento de sedução e depois afastamento (aqui se parece com o carácter histérico).

Poderá apresentar fortes tendências ao voyeurismo pelo interesse que sempre manteve pelo corpo feminino. É um tipo confuso devido ao balanceamento entre impulsos pré-genitais e genitais.

 

Estela Rodrigues

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