O Carácter Oral

28/01/2012

 

O histórico de uma estrutura oral fala-nos, essencialmente, do desenvolvimento precoce da crian­ça para poder preservar a vida. Se houver perda da mãe, quer concreta ou afetiva, a criança lutará precocemente para poder sobreviver sem ela. Outra maneira típica de desenvolver uma estrutura oral, é obrigar a criança, desde tenra ida­de, “a desenrascar-se  sozinha”, ou seja, a fazer as coisas por si mesma. Estas situações poderão levar a criança a fixar-se na fase oral.

Outro fator que poderá contribuir para as fixações nesta estrutura é a história do parto prematuro, onde a criança se vê obri­gada a ter de desenvolver rapidamente as suas funções para enfrentar o nascimento. A melhor maneira de se descrever uma estrutura oral, é dizer que se trata de um indivíduo ao qual falta ímpeto para actuar no mundo, as exigências que o exterior faz são demasiadas para ele. Frequentemente é tido como alguém incapaz, devido à sua falta de motivação e da sua fraqueza diante de esforços contínuos.

Estas pessoas trazem consigo um profundo sentimento de carência afectiva, buscando a mãe, seu elo perdido, em todos os relacionamentos. O caráter oral desenvolve-se a partir da necessidade que a criança tem da mãe, reprimida antes que suas necessidades orais sejam satisfeitas. Isto provocou grandes conflitos inconscientes entre as necessidades e o medo de desapontar os progenitores. Por sua vez, o ego desistiu das suas demandas conscientes, trocando-as por mais suprimentos; então vê-se a criança numa tentativa heróica de ser independente, o que consegue parcialmente. A repressão da vontade de ter a mãe produz uma criança precocemente independente, no andar e na fala; mas se observarmos a marcha pode estar mais retardada, pois são crianças com muita dificuldade de segurança nas pernas, tropeçando sempre em objetos visíveis, porque não têm firmeza.

Como as necessidades orais estão reprimidas e insatisfeitas, a fase genital e mais tarde a genitalidade do adulto, devido a uma fixação oral, vai exibir alguns distúrbios. O mundo adulto não vai conseguir satisfazer as suas exigências infantis; e mais cedo ou mais tarde vai ter de lidar coma rejeição, resultado de desapontamento (por não se sentir amado).

O padrão muscular deste tipo de carácter implica uma forte necessidade da pessoa de “agarrar” a algo, segurando-se contra o medo de ficar sozinha, de cair para trás, e de ser levada; em  termos de estrutura a defesa é contra a ameaça do abandono e contra a raiva destrutiva que isto produz. Em termos de terapia o objectivo terapêutico ajuda a criar um “holding”, com condições que levem o paciente a encarar o medo de ficar sozinho e a raiva de ter que ficar sobre as próprias pernas, como manifestação do ressentimento constante.

 

mais vezes em diferentes pessoas), mas é preciso ter em conta que nós não somos somente um tipo e todos nós apresentamos características mescladas das várias fases de desenvolvimento da caracterologia ao longo do desenvolvimento infantil, pelo que esta leitura não se deve tornar algo inflexível mas surgir como informação que nos ajude a completar os variadíssimos traços da pessoa no contexto psicoterapêutico.

Na tipologia do carácter oral encontramos o tipo “Oral Reprimido” e o tipo “Oral Insatisfeito”. O primeiro caracteriza-se por ser alto e magro, lidando com dificuldade em diversas situações pois está destituído de energia. Regra geral, é quieto, lacónico, fala baixo e a suas frases são geralmente mordazes. Recua sempre para dentro da sua concha com espantosa facilidade, sendo muito sensível e magoando-se facilmente por nada, e por isso precisa constantemente de ouvir elogios e incentivos. Espera ser amado e compreendido sem que faça qualquer esforço para isso. Geralmente é solitário, não tem amigos e pouco tem a oferecer aos outros. O Oral Insatisfeito: este é um tipo mais modificável, estando muito sujeito a fases de elação e depressão. Fazem consumo excessivo de comida, álcool ou drogas. Os alcoólatras, por exemplo e os maníacos depressivos, são tipos fálicos, mas na medida que vão regredindo neuroticamente vão perdendo a posição fálica, tornando-se orais insatisfeitos e “voltando para o seio materno”; actos como chupar os dedos e roer as unhas reflectem indivíduos de oralidade insatisfeita. Estes indivíduos falam mais e são mais baixos que os re­primidos.

 

Biótipo – Couraça Muscular e Energética: Os músculos são geralmente subdesenvolvidos e a energia se ancora mais na cabeça que no resto do corpo. A carga é baixa e a energia flui minguada do centro para a periferia, daí a falta de energia nas extremidades – mãos e pés. A falta de energia e força se situa na parte inferior do corpo, dado que o desenvolvimento infantil se processa na direcção céfalo-caudal. As pernas, apesar de fracas, são tensas, por falta de eixo energético pois os joelhos tendem a ficar tensionados e voltados para dentro, compensando a fraqueza do apoio dos pés no chão. Os pés são geralmente fracos e chatos. As tensões musculares encontram-se espalhadas pelo corpo. Existe um anel de tensão na cintura es­capular e na base do pescoço. Tensão na cabeça e no pescoço, bem como nos músculos longitudinais ao nível do diafragma e do sacro. Os músculos da cintura pélvica são tão tensos quanto os da cintura escapular. Já na parte anterior do corpo parece não haver tensão, mas isto e devido à deflação do peito e do abdómen. Se apalparmos profundamente, a tensão aparecerá no reto abdominal. A pélvis é geralmente menor que o normal, possuindo poucos pêlos. Nas mulheres, confere um retardo no crescimento, apresentando uma estrutura corporal infantil.

O nível energético de excitação genital e muito baixo, tendo tendência para um metabolismo reduzido, o que propicia pressão baixa. As pernas são geralmente finas e compridas; tendência para a miopia.

Couraça Carateriológica: Contém muitos traços infantis, predominando uma fraqueza física e psicológica, o que denota tendência para depender dos outros; a agressividade é precária. Tem uma sensação interna de precisar de ser carregado, apoiado e cuidado; essa necessidade poderá aparecer de forma reactiva, através de um exagerado senso de independência, mas que em situações de tensão não conseguem sustentar por muito tempo. A experiência básica do oral baseia-se na carência afectiva, por isso há um desejo desesperado de estar com outras pessoas para receber calor e apoio. Frequentemente experienciam sensações de vazio, sendo sujeitos a mudanças de humor cíclicas – ora eufóricos ora deprimidos.

Existe uma sensação interna de que o mundo lhe deve coisas e portanto deverá sustentá-lo. São dotados de teimosia passiva e de imobilizações constantes e várias. Inclinam-se a depender dos pais por mais tempo que o normal dos jovens. Costumam-se apoiar em pessoas fortes da família quer física ou financeiramente, mantendo-se, na maioria das vezes, com uma atitude marginal de aguardar que alguém reconheça as suas capacidades e o recompense com magnifico sucesso no campo profissional. O rosto sempre expressa ressentimento encoberto por mágoa passiva.

 

Estela Rodrigues

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