O Carácter Normal na perspectiva Reichiana

28/01/2012

No carácter normal teremos um indivíduo maduro, livre de sintomas, sem angústias, sem conflitos mentais, que terá uma capacidade satisfatória para o trabalho e é capaz de amar alguém que não apenas ele e que consegue ter uma vida sexual normal com potência orgástica completa. O pensamento tem uma orientação para factos objectivos, diferenciando plenamente aquilo que é ou não é essencial; procura descobrir e eliminar o irracional e as perturbações emocionais que possam prejudicá-lo; sua natureza é funcional e actua com sentido prático; não é mecanicista nem místico; seus julgamentos são produtos de um pensamento racional, lógico e objectivo, não deixando dúvidas quanto ao seu posicionamento frente às situações.

No carácter normal, os motivos de actuação e os fins estão em harmonia no indivíduo. Os motivos e as metas têm um fim social racional; os motivos e propósitos sobre a base da sua natureza psicológica primária, esforçam-se por melhorarem-se a si mesmos como aos demais à sua volta. Tem uma vida sexual determinada pelas leis naturais da energia biológica, sendo capaz de obter uma descarga libidinal completa durante todo o acto sexual, sem a menor perturbação ou angústia. Não contempla a felicidade dos outros com inveja ou de forma torturante; em contrapartida, sente grande indiferença face à pornografia e às perversões.

Desenvolve um trabalho activo sem nenhum esforço especial, entregando-se ao trabalho de forma integrada e prazeirosa; não é um super-homem que nunca se cansa, mas percebe que o cansaço é uma consequência natural de um trabalho contínuo e necessário. A sua alegria face ao trabalho é espontânea pois ela expressa-se como uma necessidade psicológica de agressão sublimada e, assim, de prazer. É esse prazer que o torna líder dos seus companheiros de trabalho, pois ele nem precisa de ostentar a sua produtividade nem a sua eficiência metodológica.

Pode estar alegre, mas se for necessário, sentir-se-á colérico, pois pode amar e odiar intensa e apaixonadamente; isso deve-se ao facto do seu Ego ser suficientemente flexível para sentir prazer e desprazer com igual quantidade e qualidade. Em outras situações comportar-se-á como uma criança, sem dar a impressão de ser infantil; a sua seriedade é natural e não fruto de uma rigidez compensatória, pois não tem o propósito de aparecer dando a impressão de ser alguém maduro, já que o é naturalmente.

A elasticidade e firmeza da sua couraça devem-se ao facto de ser capaz de se dar ao mundo com toda a intensidade, como de isolar-se se for essa a sua vontade; a sua couraça caracteriológica normal tem elasticidade suficiente para adaptar-se às mais diversas situações da vida. A actuação do carácter maduro não se baseia numa acção reprimida, mas sim numa agressão sublimada; se a realidade o agredir, tenderá a modificá-la sem impor as suas convicções. Como não têm medo da vida não faz concessões ao ambiente porque não permite que as suas convicções fiquem subordinadas ao agrado ou desagrado social.

O carácter normal ideal será aquele que encontra a verdade nas suas relações com o meio, sendo um espelho plano e não deformador tanto do meio interno como do externo; compreende e não suporta as coisas ou as pessoas que o desagradam, estando a maior parte da sua vida voltada para as relações prazerosas e conectadas com o real.

 

Estela Rodrigues

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