O Carácter Neurótico

28/01/2012

 

No carácter neurótico o indivíduo também tem um pensamento orientado para os factos objectivos, no entanto, como está congestionado pelo êxtase sexual crónico, a orientação é ambivalente pois ao mesmo tempo que se dirige para o objectivo, tenta evitar o desprazer entrando em conflito com o seu próprio sistema de pensamento, evitando o conflito entre prazer e desprazer; e é aí que o pensamento objectivo, racional e lógico perde muitas das suas qualidades.

A sua capacidade de ação reduz-se com regularidade porque os motivos carecem de afecto ou então surgem contraditórios entre si; como o carácter neurótico reprime bem a sua irracionalidade, tem de lutar constantemente contra ela, e é isso que reduz a sua habilidade para agir, temendo destacar-se em qualquer actividade, pois nunca está seguro de poder controlar os seus impulsos patológicos ou sádicos; geralmente sofrem ao compreender o facto de que não estão inibidos na sua actuação vital, sentindo inveja daqueles que são saudáveis. É esta posição que o converte num espectador da sua própria vida, não a incomodando mas também não fazendo nada para mudar o meio em que vive e em que reproduz a sua neurose.

Ele sempre sofre de transtornos de angústia ligados ao acto sexual, criando um ciclo entre prazer, desprazer e êxtase sexual; enquanto evita o prazer para não ter desprazer, congestiona o seu corpo com a sobra de uma descarga ineficiente; é esta sobra que provoca mais tensão e angústia, impedindo-o novamente de ter prazer, o que o leva à criação de mais tensão.

O trabalho do indivíduo de carácter neurótico é tipicamente automático, mecânico, faltando-lhe o prazer em tudo o que faz. Sendo ascético só consegue ter satisfação sexual acompanhada de sentimento de culpa, sendo que o acto sexual em si é considerado como algo sujo e brutal; desde logo a sua potência eréctil e orgástica encontram-se perturbadas.

As relações com o mundo exterior são artificiais, míopes ou contraditórias, pois falta-lhe o amor e a paixão suficientes para se sentir um entusiasta ou em harmonia consigo mesmo; então não pode amar intensamente porque os elementos essências da sua sexualidade estão reprimidos, muito menos pode odiar racionalmente pois o seu Ego não se sente semelhante ao ódio, visto que se tornou desordenado em resultado da congestão da libido e da repressão, por isso quando sente amor ou ódio a reacção não decorrente desses sentimentos não está de acordo com os factos; no seu inconsciente, as experiências infantis entram em jogo e determinam a extensão e natureza das reações.

É geralmente polígamo pois nunca encontra um objecto real de amor; devido a essa busca idealizada, vive insatisfeito com tudo, ansioso e desconfiado; se chega a cumprir uma rígida monogamia, fá-lo simplesmente por obrigação ao cônjuge, mas na realidade teme a sexualidade e a sua incapacidade para regulá-la; também se apresenta angustiado face ao conflito e à perda do objecto de amor, visto que teme a perda deste, pensando que nunca poderá vivenciar outro.

A couraça é rígida e as suas relações com o meio e os objectos são insuficientes e constantemente reactivadas.

 

Estela Rodrigues

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