O Carácter Genital na Perspectiva Reichiana

28/01/2012

É preciso distinguir caracterialidade de neurose: geralmente, aquele que é caracterial não se dirige ao psicanalista nem ao psiquiatra. Todas as pessoas que encontramos são “caracteriais”. Encontrar alguém que tenha o carácter maduro, o carácter genital, significa encontrar um “elefante branco”, porque temos sempre relação com pessoas que, caracterialmente, como dizia Reich, são pessoas compensadas. O “carácter”, na verdade, tornou-se a formação necessária para manter o equilíbrio psíquico e para a defesa das frustrações e das agressões do ambiente.

Essas pessoas, no seu invólucro caracterial, estão muito bem e não têm necessidade de ninguém, até que desmoronam sob o peso de sua couraça, nascida como defesa para manter um equilíbrio precário. Há pessoas que, se não entram em crise, nunca tomarão consciência da necessidade de resolver certas problemáticas.

A neurose, clinicamente falando, ou seja, com sintomatologia, para existir tem necessidade de uma base caracterial. Em outras palavras, para haver uma neurose histérica é preciso que a pessoa tenha um carácter histérico; para haver uma neurose obsessivo compulsivo é preciso que a pessoa tenha uma caracterialidade coagida. Por isso distinguimos estrutura caracterial de neurose; esta ultima se exprime em traços caracteriais que em certo momento, extrapolam a sua “normalidade”: desabam sobre o peso da couraça, se agigantam até se manifestarem como sintoma.

No que toca a relação do Ego com o carácter genital, as descargas orgásticas periódicas de tensão do ID reduzem consideravelmente a pressão das reivindicações instintivas do ID no Ego. O ID está satisfeito e o Superego não é sádico, portanto não existe pressão sobre o Ego; livre de sentimento de culpa, o Ego satisfaz a libido genital, e certos impulsos pré-genitais do ID são sublimados por uma agressão natural; como o Ego não se opõe ao ID, o Superego mão se opõe ao Ego, pois parece que a única condição em que o ID se permita a ser controlado pelo Ego sem fazer uso da repressão, é a de que o Ego dê vazão total à descarga orgástica.

Um forte impulso homossexual expressar-se-á quando o Ego não é suficientemente forte para satisfazer o impulso heterossexual de maneira completa quando não existe êxtase libidinal. Economicamente isto é fácil de se compreender visto que na satisfação heterossexual – desde que a homossexualidade não seja reprimida, não excluída do sistema de comunicação da libido -, a energia é afastada dos impulsos homossexuais.

Desde que o Ego esteja apenas sob uma pequena quantidade de pressão tanto do ID como do Superego, muitas vezes por causa da satisfação sexual, ele não tem que se defender contra o ID como o Ego tem de se defender no carácter neurótico; o Ego é altamente acessível ao prazer tanto como ao desprazer.

O Ego do carácter genital também tem uma couraça mas esta encontra-se em seu poder, não se submetendo a ela, sendo que a couraça apresenta-se flexível.

 

Estela Rodrigues

 

 

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