Impulsos duais no carácter masoquista

28/01/2012

No carácter masoquista os impulsos de expansão e extroversão estão mais bloqueados, instalando a dúvida e a desconfiança perante os outros ou perante os mundos exterior e interior.

O indivíduo sente-se constrangido dentro da própria pele, incapaz de compreender-se, como se estivesse emparedado, sem contacto e tensão suficientes para romper; esforça-se por todos os meios possíveis para se lançar ao mundo, mas continua amarrado pois os seus esforços para entrar em contacto com a vida são dolorosos, estando mal preparado para enfrentar dificuldades e desapontamentos; desta forma, a função biológica em direcção ao mundo, ou seja, do interior para o exterior, é contrariada por um retraimento para dentro do eu.

A sua desconfiança é fundamentada em experiências infantis, encontrando-se bem entrincheirada e teimosamente resistente aos ataques; enquanto persiste pode esperar-se uma reacção terapêutica negativa, que só poderá ser desmontada através de uma cuidadosa exposição analítica do carácter; à menor sugestão de antagonismo a posição de defesa é automaticamente reassumida.

Na estrutura do masoquista, o impulso agressivo está debruçado para dentro como se enormes cordas tivessem sido amarradas nas duas extremidades do organismo; como resultado, os sentimentos ternos estão comprimidos pelos braços da agressão. O Ego do masoquista está esmagado, como se tivesse sido apanhado numa armadilha.

A criança rege-se pelas pressões, chorando, lutando ou afastando-se; é através do olhar, da gesticulação e do movimento que apela simpatia e compreensão à sua mãe. Este apelo aos sentimentos ternos da mãe é ignorado com base na sensação de que a mãe tudo sabe; a negação das necessidades espirituais da criança, graças à ênfase às suas necessidades materiais, resultará em masoquismo.

Do mesmo modo que a privação gera oralidade, a supressão gera masoquismo. A supressão não toma forma de hostilidade, mas opera sob os disfarces do cuidado excessivo e da superprotecção; a não expressão de ternura resulta das medidas energéticas empregues como “aborrecer-punir” que apelam aos sentimentos de amor pela mãe, ameaçando a criança de privá-la do amor se ela não obedecer.

Em nenhum outro carácter a ambivalência é tão acentuada e o conflito tão grande.

O desenvolvimento do sistema muscular é impedido na sua função natural de expansão e contracção, dando lugar à função única de retenção. Os músculos subdesenvolvem-se a fim de reter os impulsos negativos e controlar os impulsos naturais.

A expressão dos movimentos faciais também está limitada; a sua expressão típica é de inocência e ingenuidade, como se houvesse sempre a sensação de culpa seguida de “não fui eu”; essa inocência pode assumir a forma de olhos arregalados, de um sorriso bem-intencionado ou de uma estupidez sorridente; por baixo de toda essa expressão encontra-se o medo, o desprezo, a expressão de nojo e, ainda mais profundamente,  a criança atormentada.

Mentalmente subsistem a desconfiança e a dúvida, que evitam o soluçar da garganta e o ódio que a pessoa sente, na parte de trás do pescoço, encerra-se uma postura corporal que diz “não vou fazer”, sendo que as lágrimas estão bloqueadas pelas tensões abdominais.

 

Estela Rodrigues

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