Estratégia terapêutica com o carácter impulsivo

28/01/2012

 

Estrutura Defensiva

a) faz o que quer;
b) tem muito medo de estar só – na realidade tem uma sensação de abandono semelhante à do Carácter “Oral insatisfeito”;
c) é altamente medroso e reage na contra fobia, isto porque não tem referências de até onde pode ir;
d) tem uma desorganização corporal interna neurológica e afectiva que o impede de ver e se dar conta da outra pessoa;
e) é obstinado; na realidade acha-se maldoso e diabólico;
f) tem prazer na crueldade, e ao invés de disfarçar o impulso sádico, actua descaradamente o seu sadismo;
g) a sua demanda para receber um “não” que venha de fora, surge como um limite na sua marginalidade; a sua impulsividade é a sua própria forma defesa para não entrar em contacto com o vazio da sua essência;
h) existe uma reivindicação que é uma revolta; ele impõe-se aos outros através da ausência de limites, mas a depara-se frequentemente com a pergunta: “Porque é que os meus amigos não me contactam??”. Em que situações é que o Carácter Compulsivo usa os seus amigos?
i) Tem um ego muito idealizado – narcísico; um ego ideal em que ele pode fazer tudo; omnipotência; o self real, por detrás do carácter, mostra um ego muito destruído

Estratégia Terapêutica

Como podemos trabalhar com todos estes traços do seu carácter e a sua sobre-excitação desenfreada? Cansando-o!

– Em terapia, pode ser levado a ficar excitado, o terapeuta pode faze-lo pular e gritar  – a massagem funciona lindamente, mas não nos devemos esquecer que em função de qualquer toque mais afectuoso, ele pode atribuir-lhe uma conotação sexual.

– Pode-se estimulá-lo pelo fio mais solto, por exemplo fazê-lo mexer aquilo que estiver mais agitado. Por momentos irá ouvir-nos e fazer o que se pede, mas logo de seguida dispersa-se. Algo que nos dá a ideia de que existe  algum compromisso a nível neurológico, que não é apenas uma manifestação do carácter.

– É Importante apontar-lhe o uso que faz dessa impulsividade e da sua esperteza para minar todo e qualquer esforço do terapeuta. Com muito cuidado, senão corre-se o risco de que ele sinta mais uma vez que existe uma acusação contra ele, como acontece na sua vida fora do contexto de terapia.

– A massagem na cabeça e movimento com os pés. Fazer deslizar os pés sobre bolas ou pedaços de pau (e.g. canas de bamboo). Durante a massagem na cabeça ele pode fazer algum movimento distorcido, como espreguiçar-se. Nessa altura, pedir-lhe que movimente os pés, que os esfregue no colchão – sem lhe largar a cabeça; ele detesta limites mas há que dar-lhe um limite disfarçado.

– O uso de grounding, exercícios para abrir peitorais e o diafragma (no cavalete ou bola grande). Atenção, quando não está na impulsividade está na angústia e encontra-se num sofrimento muito forte, que não suporta. Logo de seguida recorre à impulsividade para sair da angústia.

A terapia apresenta resultados quando se puder entrar em contato com a sua tristeza, pois a impulsividade impede-o de estar triste e estar triste fá-lo sentir-se completamente desarmado. Consequentemente, o anel visual é extremamente energizado – o mundo adentra-lhe descaradamente pelos olhos (primeiro centering, depois grounding e finalmente facing).

O anel ocular é muito expressivo e altamente revelador. Apesar de serem olhares altamente energizados, Reich estabelece a distinção entre o olhar da pessoa com psicopatia, que é mais frio e no qual nada se perscruta, e o olhar do impulsivo, que é mais quente e onde se percebe tudo.

Para que possa evoluir, precisa aprender suportar a ser amado – amor. Está para além dele a ideia de ser capaz de ser amado, quando no fundo é unicamente o que quer. Como não acredita que é capaz de ser amado, testa isso até à exaustão, de forma a provar que afinal não é amado.

 

Estela Rodrigues

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