Ecologia, amor e o resgate da consciência

28/01/2012

A meus mestres Liane Zink, Odila Weiggand, Len Carlino e ao grupo que devolveu-me amorosamente minha pátria.

Necessitamos chamar o espírito do tempo; quem sabe deus Cronos nos ajudará a recolocarmo-nos dentro da totalidade, da qual nunca saímos.

Somos um recurso na totalidade e todo o processo existencial é integrar a totalidade em nosso caminho, secreto, de desenvolvimento, semente dirigida pela inteligência universal e apontada sempre para a evolução e para a entropia.

Nesta díade, estamos inscritos num contexto de coabitação, mesmo na necessidade de aceitar e explorar o desconhecido, apesar do medo.

Minha impressão, é estarmos dentro do escuro.

Depois de tanta preparação e abertura para a consciência, de livros lidos e escritos, de teorias conceituadas e explicadas, ainda estamos no escuro.

Porém gostaria de olhar para o escuro de outra maneira: o escuro desconecta-nos do exterior e volta-nos para o centro, o uno não dividido, onde reside a sabedoria e onde podemos ouvir o som do silêncio.

Como me sinto comprometida comigo mesma na existência neste planeta?

Estar neste processo de aprofundamento individual, leva-nos ao compromisso com a totalidade, que está presente mesmo sem nos apercebermos disto.

Esta cumplicidade entre o fechar os olhos, olharmos o escuro, o negro, escondido e absorvermos o essencial, leva-nos para fora, na direcção do outro, do social, da natureza e a complexa interacção entre o dentro e fora.

Este tema, a respeito da ecologia do corpo e a consciência interdependente do homem com a natureza leva-me para um lugar onde eu ainda não sei ou não conheço.

Aí, fico mais acordada pacientemente esperando uma ponta de luz com o desafio de posicionar-me com mais clareza, tentando ficar não dividida e momentaneamente livre do paradoxo.

Ainda é difícil aceitar a complementaridade em lugar do paradoxo e meu movimento de saída é olhar para o agora e para o agora do meu corpo.

Minha relação com ele e com o mundo. Recorro à minha inspiração, não só física e respiratória mas à minha certeza interior e minha intuição: o que o mundo exterior informa-me .

Gostaria de propor um exercício de presentificação que nos traduz a experiência ecológica do corpo.

  • Em silêncio vamos sentir o corpo e as sensações presentes.

  • O corpo sustenta a nossa alma.

  • Sinta a cadeira que sustenta o corpo que sustenta a nossa alma.

  • Sinta o solo que sustenta a cadeira, que sustenta o corpo, que sustenta a nossa alma.

  • Sinta o ar que respiramos neste lugar.

  • Sinta o ar do lugar onde moramos.

  • Sinta as pessoas que moram nesse mesmo lugar, os vizinhos e as suas casas.

  • Sinta a cidade que sustenta estas pessoas nas suas casas.

  • Sinta o País que sustenta esta cidade.

  • Sinta os continentes e as suas águas que sustentam os seres da terra.

  • Sinta o espaço, o cosmos, nossa galáxia, as estrelas e todo o universo que nos rodeia.

Fazemos parte desta totalidade indivisível.

Absolutamente coesa e insolúvel. Olhamos do microcosmo para o macrocosmo e também no sentido inverso.
Como conseguimos olhar este absoluto indivisível dentro de nós?

Para mim, este é o principal paradigma ao pensarmos na ecologia, a inter relação indissolúvel entre as espécies e o propósito da sua manutenção.

Do caos surge a ordem, da agressão surge a construção, qual é o meu lugar nesta ordem, qual é o equilíbrio entre o dar e o receber?

Estas questões para mim ainda não possuem respostas definitivas. Possuem tentativas de aprendizagem, através de experiências sedimentadas em bases teóricas como a análise bioenergética que muito tem contribuído para a manutenção do sistema de auto sustentabilidade do corpo, fundamentando-se na auto regulação vegetativa e na espontaneidade das nossas emoções para que pudéssemos recuperar o nosso estado de “graça”.

Desde a expulsão do paraíso o Homem entrou em desarmonia com o Uno, no entanto ganhou autonomia e livre arbítrio, capacidade de escolha.

Livre arbítrio?

Ainda não estou convencida da existência pratica deste conceito.

Como diz Alexander Lowen “ A harmonia que existira entre o Homem e a Natureza foi destruída. Em lugar da alegria da ignorância, o Homem passou a conhecer e a experimentar a realidade da consequência das suas escolhas” (1)
Minha experiência clínica revela que o melhor prognóstico para um determinado caso é aquele que apesar de todas as situações traumáticas de sua existência, o individuo ainda não perdeu a fé e sente que é abençoado por alguma força maior que lhe impulsiona para a vida e para a morte.

Será isto a força vital, o espírito que impulsiona o corpo na vibração e excitação através de um novo pensamento ou emoção, ou um simples acto de apreciar um pôr do sol ou a experiência de encher os pulmões de ar e sentir-se parte integrante do cosmo inteligente e diligente?

Nas palavras de Lowen “Nós estudamos o corpo como um sistema energético delimitado e auto-sustentado que, para sobreviver, depende e está em constante interacção com o ambiente”.(2)

Esta ecologia, a relação de interdependência entre sistemas distintos porém complementares, é nosso desafio desde a expulsão de Adão e Eva do Paraíso; desde a retirada dos aborígenes de suas tribos , até a evolução e integração tecnológica no nosso cotidiano, este processo começou a fazer parte integrante desta nova interacção.

Um individuo mergulhado na sua própria escuridão como um eremita à espera do discernimento, conectado com os seus sentimentos essenciais, compreenderá melhor o seu conceito de saúde, de estima pelo global e do ambiente de que faz parte; pessoa e ambiente não estão separados, são apenas sistemas diferentes, mutuamente conectados e esta interacção poderá ser a expressão mais discreta do amor “agapé”, como sublinha tão bem Jean Yves Lelloup: o amor incondicional por todas as criaturas e manifestações da existência cósmica.(3)

A consciência expandida do corpo e de nossa existência leva-nos a uma consciência da alegria da vida, do estado de graça como “a influência divina que actua dentro do coração para regenerá-lo, santificá-lo e conservá-lo”.(4)

Amabilidade e gentileza para connosco e os outros formam o conceito de elegância, e a elegância é o ético no seu estado mais puro – a ordem é natural, proveniente da inteireza, do amor e respeito pela vida e da unicidade com o divino.
A graça vivenciada no corpo é um estado de graça, gratuita parte do imprescindível amor.

 

Estela Rodrigues

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