Como lida o terapeuta com as manifestações sexuais do paciente?

28/01/2012

Como é que o terapeuta pode enfrentar as manifestações sexuais do paciente, sem se envolver emocionalmente?

Num processo terapêutico, em condições analíticas normais as exigências genitais de amor do paciente tornam-se evidentes na transferência; se o próprio terapeuta se confunde a respeito de assuntos sexuais ou não expressa pelo menos uma orientação intelectual sexual afirmativa, o seu trabalho pode encaminhar-se para o insucesso.

Muitas vezes o próprio medo que o analista tem das manifestações sexuais e sensuais do paciente, impedem severamente o tratamento, podendo acontecer ou não, contribuir para o estabelecimento do primado genital no paciente, apenas reforçando a sua pré-genitalidade.

Quer o terapeuta admita ou negue que tem de lutar com as dificuldades de compreensão do que é sexual, isso fará pouca diferença visto que o paciente sentirá a negação sexual inconscientemente, bem como a rejeição do terapeuta. Com isto se sentirá incapaz de libertar-se das suas próprias inibições sexuais.

O terapeuta tem o direito de viver de acordo com as suas ideias, permanecendo o facto de que se, inconscientemente se ele adere a princípios morais rígidos, conseguirá tratar apenas poucos pacientes, estando sujeito a considerar como “infantis” alguns modos naturais de comportamento.

O terapeuta que tende a sentir ou a interpretar os pacientes de forma narcisista, terá tendência para interpretar aquelas manifestações de amor como sinal de uma relação amorosa pessoal direcionada a ele. O terapeuta que não controla o seu sadismo suficientemente cairá com facilidade no conhecido “silêncio analítico”, apesar de não existirem razões satisfatórias para esse comportamento; nesta situação o terapeuta tenderá a considerar o paciente como um inimigo que não se quer curar. A falta de paciência no terapeuta faz com que a técnica fique aquém das suas possibilidades.

Por outro lado, o terapeuta com pouca experiência na vida sexual terá amplas dificuldades em lidar com a sexualidade do paciente. A menos que reprima os seus medos e impulsos, o terapeuta perturbado sexualmente poderá ficar enredado numa perigosa relação neurótica com o paciente e ficar cada vez mais distante de uma contra-transferência positiva, que são afectos seguros que denotam um bom vínculo essencial ao processo terapêutico.

No caso da análise das defesas de caráter o trabalho do terapeuta deverá ser sistemático, e flexível quanto à compreensão intuitiva que faz do que ouve e do que raciocina através do paciente; não basta aqui que o terapeuta seja um grande conhecedor da técnica, pois a intuição servirá muito para a compreensão global, caso a caso. É necessário que domine a sua tendência de “vender” o seu conhecimento teórico ao paciente e que conheça as suas próprias defesas, de forma a não utilizá-las durante a sessão.

 

Estela Rodrigues

 

 

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