A Asusência de Sonhos e o Tédio na Sessão de Psicoterapia

28/01/2012

Eis-nos chegados ao final desta série de artigos sobre as resistências em terapia, a qual se poderia prolongar por mais textos. Vamos retomar a este tema só mais para a frente, para entretanto podermos dar destaque (ainda esta semana) a outras coisas não menos importantes focadas por Reich.

Ausência de Sonhos: quando os pacientes esquecem os seus sonhos, estão obviamente resistindo à recordação deles; esses pacientes têm um grau de resistência menor porque chegaram a lembrar-se dos sonhos ao acordar e depois esqueceram-se; já outros, que nunca se lembram dos seus sonhos ou de alguma vez terem sonhado, possuem um tipo de resistência ferre­nha, porque aqui, a resistência não só conseguiu atacar o conteúdo do sonho, como também a lembrança do que foi sonhado.
Pacientes que contam sonhos mas cujo conteúdo indica fuga da análise (ir para outro terapeuta, ou acabar por ir num consultório errado) também são formas de resistência e podemos ter neles uma leitura praticamente directa de dinâmicas a acontecerem no processo terapêutico; os sonhos são o meio de acesso mais importante para o inconsciente, para o reprimido e para a vida instintiva onde jaz a sede de todas as nossas pulsões; o acto de esquecer é uma indicação da luta do paciente para não revelar seu inconsciente e, em particular, para não revelar seu inconsciente ao analista. Se o analista conseguir vencer uma resistência numa determinada sessão, o paciente pode reagir, sendo capaz repentinamente de se lembrar de um sonho que até então estava esquecido.

Inundar a sessão com muitos sonhos é uma outra variedade de resistência e poderá indicar o desejo inconsciente do paciente de continuar o seu sonho na presença do analista;

Tédio: demonstra que o paciente está a evitar consciencializar-se dos seus anseios instintivos e das suas fantasias; se está entediado, isto quer dizer que arranjou uma maneira de bloquear a percepção consciente dos seus impulsos e, para substitui-los, apresenta uma tensão vazia, característica do tédio. Quando um paciente está trabalhando bem com o analista, está ansioso para sair em busca de suas fantasias; o tédio, qualquer significado que possa ter, é uma defesa contra as fantasias in­fantis.

Quando o analista entra em tédio, poderá estar indicando que ele está bloqueando as suas fantasias em relação ao paciente; Trata-se aqui de uma reação contra-transferencial, mas também se pode dar o caso que o pa­ciente esteja resistindo e que o analista ainda não se apercebeu dis­so conscientemente, fazendo com que o paciente fique insatisfeito, inquieto e entediado.

 

Estela Rodrigues

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