I Congresso Internacional da Criança e do Adolescente - Abril 2010

 

TEMA: A ABORDAGEM PSICO-CORPORAL NA COMPREENSÃO DO VÍNCULO

*Estela Rubia de Paiva Rodrigues

 

RESUMO:

Este texto tem como objetivo apresentar:

- os primórdios das psicoterapias  baseadas  numa perspetiva somática,  através de Wilhelm Reich e seus seguidores pós e neo-reichianos, ampliando o paradigma da díade terapêutica, com a introdução do toque na intervenção psicoterapêutica, bem como a inclusão do conceito de relação objetal;

- a qualidade do contacto desde o momento em que a mãe ou os pais pensam ter um bebé,  com toda a sua história transgeracional, passando pela conceção; o óvulo fecundado no processo chamado “nidação”- a implantação do mesmo no útero; a gestação e o parto; os primeiros contactos na fase inicial da vida pós-parto e a partir daí, todos os eventos de maternagem (holding e handling), citados por Winnicott e a importância do olhar, e do tocar para o estabelecimento de um vínculo sadio com a mãe - objeto primordial de amor - e com a vida - objeto primordial de fé e sentido;

- a  interface corpo/toque/expressão, como diagnóstico e intervenção dentro do trabalho corporal  em grupo;

PALAVRAS-CHAVE: abordagem psico-corporal; terapias somáticas; o toque e o tocar; maternagem; vinculação.

 

 

 

“A alma e o corpo são dois modos de atributos de um mesmo ser: Deus. Tudo o que ocorre na ordem de um atributo, deve ocorrer na ordem dos demais atributos. Alma e corpo constituem o mesmo ser. Qualquer individuo é corpo e idéia, alma e idéia deste corpo.”

                                                                                                                 A Ética da Alegria - SPINOZA

 

 

 

 

 

 

*Psicóloga Clínica e Educacional, Psicoterapeuta Somática em Análise Bioenergética, em Biossíntese e Formadora do Curso “Teorias e Técnicas das Psicoterapias Corporais” – T.T.P.C. (R)

  Local Trainer em Análise Bioenergética e Trainer Júnior em Biossíntese em Portugal e Espanha.

I - AS PSICOTERAPIAS SOMÁTICAS: UM BREVE HISTÓRICO

A divisão mecanicista e positivista da relação alma/soma prevaleceu durante séculos. A ciência da natureza contruía-se através da negação dos sentidos ou impressões subjetivas para a elaboração de suas teorias com as noções de objetividade e neutralidade, ainda hoje marcantes em várias vertentes da pesquisa (FIGUEIREDO 1998 e BOCK 2001).

Partindo de CHARCOT e BREUR, a psicanálise aparece com Freud, como uma nova forma de saber e tratar o sofrimento humano. Este novo modelo rompe com o pensamento mecanicista através do estudo da histeria, pois o sintoma se desenvolvia sem uma clara correlação com distúrbios e lesões neurológicas ou fisiológicas.

A proposta psicanalítica para o tratamento da doença orgânica pelo psiquismo baseava-se na sugestão hipnótica e evoluiu para a utilização da técnica da associação livre, a escuta de conteúdos do discurso do doente, perceção das manifestações do inconsciente na relação transferencial e na dinâmica psicológica do mesmo.

No início da década de 1920, um discípulo de FREUD, WILHELM REICH, surge nos famosos Seminários de Viena com temas sobre sexologia, reforçando a teoria dos instintos; seus estudos posteriores demonstraram a possibilidade de uma nova abordagem que contribuiu decisivamente para ampliar a função do corpo nas psicopatologias bem como na díade terapêutica. Inaugurou um método clínico que considerava tanto a dimensão subjetiva e representacional do sujeito como também as suas manifestações orgânicas, numa postura inovadora onde a observação do comportamento psicológico estava diretamente relacionado ao funcionamento fisiológico e energético.

Recih desenvolveu um método chamado de “VEGETOTERAPIA CARACTERO-ANALÍTICA” e preocupou-se com a comprovação física da libido. Freud descreveu a libido como uma força biológica indefinida; Reich identificou esta mesma força como uma energia bioelétrica que percorre todo o corpo e é mais sensível em partes específicas. Essa energia corresponde às correntes vegetativas do corpo e é acionada diretamente pelo Sistema Nervoso Autónomo (Vegetativo) – simpático e parassimpático.

 Suas experiências laboratoriais com animais unicelulares, demonstraram que toda a vida e o universo (seres, planetas, estrelas, matéria orgânica e inorgânica) estão num movimento contínuo de contração e expansão. Este movimento pulsatório corresponde a dois impulsos básicos do organismo: expansão, quando há o estado de prazer, e contração, quando o organismo sente-se ameaçado e em estado de desprazer. (REICH, 1975)

Onde há pulsação e circulação energética, há um sistema homeostático de autorregulação, intrínseco em todos os seres; a falta desta pulsação, na falha do sistema autorregulador, ocasiona o que ele chamou de “estase” energética ou bloqueio energético, onde se verifica a paralisação ou diminuição do fluxo e portanto, adoecimento físico e psicológico.

Reich percebeu que o fluxo da energia humana era longitudinal, isto é, céfalo-caudal. O bloqueio energético dava-se de forma transversal. Descreveu sete destes bloqueios, aos quais chamou de “anéis de encouraçamento”, reconhecendo uma função para cada um deles dentro das etapas do desenvolvimento humano.

São eles:

  1. Olhos, Ouvidos e Nariz (Telerreceptores) – neste segmento também se inclui a pele, por ser o maior órgão de captação de informações externas. Este anel está ligado ao sentimento de pertença e bem-aventurança no mundo e são os primeiros contactos de vinculação. Se ocorre bloqueio neste anel há ocorrência de conflitos esquizóides como distorções na interpretação e compreensão do ambiente. A couraça dos olhos é expressa por uma imobilidade da testa e uma expressão “vazia” dos olhos, que nos veem por detrás de uma rígida máscara. Etapa do desenvolvimento implicado: do nascimento aos 6 meses;

 

  1.  Boca – este segmento é a segunda zona primordial de afetividade e ligação primária com a mãe; inclui os músculos do queixo, garganta e a parte de trás da cabeça. As expressões emocionais relativas ao ato de chorar, moder com raiva, gritar, sugar e fazer caretas estão inibidas por este segmento em caso de bloqueio energético; podem surgir transtornos depressivos. Etapa do desenvolvimento: do nascimento aos 12 meses;

 

  1. Pescoço – este segmento faz a ligação entre o corpo e a cabeça, área bastante sensível, pois é o canal onde passam a alimentação e a respiração. É a região onde se encontra a garganta, canal expressivo da voz e emoção; bloqueios revelam tendências narcisistas e de exagerado controlo, como por exemplo, medo de “perder a cabeça”. Etapa do desenvolvimento: dos 12 aos 24 meses;

 

  1. Tórax e Braços – este segmento inclui os músculos longos do tórax, os músculos dos ombros e da omoplata, toda a caixa torácica, as mãos e os braços. A couraça pode ser solta através do trabalho com a respiração, especialmente no desenvolvimento da expiração completa. Os braços e as mãos são usados para trazer, buscar, afastar, bater e expressam identidade biológica e sensação de “eu”; este segmento corresponde a área do coração e formação de vínculos. Etapa do desenvolvimento: 18 aos 36 meses;

 

  1. Diafragma – é um músculo bastante ativo na respiração sendo que o anel diafragmático está relacionado com a ansiedade e culpa frente ao prazer. Este segmento inclui o diafragma, estômago, plexo solar, vários orgãos internos e músculos ao longo das vértebras torácicas baixas. A couraça é constituída por uma curvatura da coluna para a frente, é mais difícil expirar do que inspirar. A couraça inibe principalmente, a raiva extremada. Etapa do desenvolvimento: dos 18 meses aos 36 meses.

 

  1. Abdómen – sede de emoções primárias e contentor do sistema nervoso entérico; quando bloqueado dificulta o contacto com os sentimentos. Está ligado aos esfíncteres e ao controlo da metabolização emocional – quando bloqueado, provoca a tendência para a meticulosidade e obsessão. O segmento abdominal inclui os músculos abdominais longos e os músculos das costas. Tensão nos músculos lombares está ligada ao medo de ataque. Etapa do desenvolvimento: dos 2 aos 3 anos.

 

  1. Pélvis e Pernas – neste segmento existe o predomínio da sexualidade genital e enraizamento no mundo. Na criança, dificuldades na fase fálica podem causar contrações que impedem o fluxo de energia chegar aos genitais, caracterizando quadros como a histeria. Quanto mais intensa é a couraça, mais a pelve é puxada para trás e saliente nesta parte. A pelve pode ser rígida, “morta” ou assexual. A couraça pélvica serve para inibir a ansiedade e a raiva, bem como o prazer. A ansiedade e a raiva resultam das inibições das sensações de prazer sexual, e é impossível experienciar livremente o prazer nesta área. Fase do desenvolvimento: edípica.

 

Quanto mais primitivo o trauma dentro do espectro do desenvolvimento humano, mais sério é o problema a nível psicopatológico.

 

 

A COURAÇA DE CARÁCTER E A ANÁLISE DE CARÁCTER

O organismo humano possui uma dinâmica que é o movimento “somático”. Os sentimentos também determinam movimentos corporais que podem ser percebidos, por exemplo, como contração através do medo ou aceleração do coração pela emoção da raiva; os movimentos de funcionalidade de cada órgão vão ser influenciados, alterados, impedidos ou facilitados pelo movimento do sentimento e da emoção e vice-versa. O organismo molda-se nesta “dança” entre o somático e o psíquico.

A teoria reichiana parte do princípio da indivisibilidade entre mente e corpo (soma/psique); Reich desenvolveu seus estudos sobre a defesa caracterológica, ampliando a função do corpo na psicoterapia, observando reações somáticas advindas do processo de interpretação e intervenção na dinâmica psíquica e na relação transferência/resistência (REICH, 1990).

A estas reações somáticas deu-lhes o nome de “ab-reações” que consistiam em expressões catárticas de conteúdos reprimidos somados à emoção primária do mesmo conteúdo.

Elaborou o conceito de “couraça de carácter”, como forma de compreender as tensões musculares subjacentes às defesas psicológicas e resistências vividas pelo sujeito em análise, ao entrar em contacto com os conteúdos dolorosos e ameaçadores que foram recalcados.

Ele preconizava que os distúrbios emocionais do paciente instalam-se no corpo sob a forma de tensões, posturas contraídas, bloqueios de energia, tipos característicos de movimento e rigidez ou flacidez, originando a já mencionada estase energética. O processo respiratório torna-se comprometido nesta dinâmica, sendo necessária a mobilização terapêutica da respiração nos actings ou exercícios para o trabalho de transformação do recalcamento.

Reich dizia que nascemos para o prazer e o nosso desenvolvimento é regido por ele; o movimento energético que conduz a esta energia encontra-se ligada à sexualidade freudiana (libido), que impulsiona a vida e o crescimento ao nosso mais alto potencial. A esta energia, Reich chamou de “orgone”.

Sexualidade, para ele, é a expressão da vida na vida de cada ser.

Nossas células possuem luminosidade e estão prontas para o desabrochar de todas as nossas capacidades.

A teoria reichiana é basicamente não patológica, isto é, contraria a teoria freudiana onde estávamos condenados ao conflito da interação ego/id ou ego/superego; a visão psico-corporal vê o ser humano no seu potencial de saúde, em sua expansão para o prazer ou sua defesa para a contração em situações de ameaça.

 

METODOLOGIA

A metodologia desta nova abordagem possui uma base psicanalítica e psicodinâmica, integrando elementos do corpo somático e do corpo energético, tanto no diagnóstico como no processo terapêutico. Facilita a expressão direta das emoções, potencializando as recordações e consequentes elaborações psicanalíticas.

O setting terapêutico constitui-se basicamente de um colchão especial, onde o cliente deita-se para um trabalho de massagem para mobilização energética no sentido céfalo-caudal e muito espaço à volta para trabalhos verticais. A VEGETOTERAPIA está atualmente sistematizada por FEDERICO NAVARRO, neuropsiquiatra italiano, falecido há dois anos atrás no Brasil. Navarro publicou vários livros como “Somatopsicodinâmica” entre outros.

De acordo com NAVARRO, “esse é um trabalho profundo, suave, sem violência, de dissolução de couraças (bloqueios musculares) no qual o terapeuta tenta metodologicamente compreender e intervir para propiciar um fluido movimento energético no paciente. Após a realização dos actings (movimentos corporais expressivos e mobilizadores de energia), há um momento em que o paciente verbaliza sobre suas reações, e o terapeuta está ao lado esquerdo dele, com uma escuta atenta “, e recetivo para as dinâmicas transferenciais, resistências ao processo e mecanismos defensivos.

A emoção básica trabalhada na vegetoterapia é o medo, que pode ser paralisador e a causa de inúmeras doenças psicossomáticas. A simpaticotonia é a “doença” do medo, a raiz do stress. De acordo com ELSWORT BAKER , um importante vegetoterapeuta que ampliou a técnica da análise do carácter, nosso maior medo na realidade,  “ é o medo arquetípico da morte, ou melhor, o medo de não viver o melhor que pudermos”(BAKER -1990) . O medo é a emoção que desencadeia a contração crónica e pode desencadear um tipo de vínculo evitativo ou “afastado dos outros” (KAREN HORNEY 1940).

Outras emoções bastante trabalhadas na Vegetoterapia são a raiva e a agressão. Na nomenclatura psico-corporal, agressão é um movimento saudável do organismo, com o significado etimológico da palavra grega: AGRE-DI-OR, que significa, dar um passo em frente, ir adiante, correr riscos. Organismos hiporgonóticos, não possuem esta qualidade desenvolvida, pois falta-lhes fluxo e carga para mobilizar a energia agressiva de estarem “ em direção à”. Para ALFRED ADLER, agressão significava vida e não morte (McNEELY 1987).

Já a raiva é uma das cinco emoções básicas (DAMÁSIO -2004); a sua função é a de reagir à frustração, de  uma forma  reparadora; quando reprimida traumaticamente, transforma-se em sentimentos de injustiça, zanga e inibição constantes e pode desencadear um tipo de vínculo “contra os outros”.

 

 De acordo com Navarro (1991) e Baker (1980), os distúrbios energéticos podem ser:

  1. Hiporgonóticos – pessoas com baixa carga energética, com bloqueio ocular, que tiveram stresses na vida intrauterina;

  2. Desorgonóticos – pessoas portadoras de bastante energia, mas desorganizada no corpo, característico de quadros de traumas na amamentação e desmame;

  3. Hiperorgonóticos  Desorgonóticos – pessoas com muita energia, porém desorganizada. Característica de traumas no estágio do desenvolvimento onde a criança faz uso intencional da neuro muscularidade (9º mês até a puberdade), envolvendo bloqueios, principalmente, no pescoço e diafragma;

  4. Hiperorgonóticos – grande quantidade de energia não canalizada de forma adequada. Característico de bloqueios pélvicos – histeria e neurose.

 

 

 

ALEXANDER LOWEN  E A BIOENERGÉTICA

 

Nos EUA, surgiu outra escola somática com Alexander Lowen, que foi cliente e discípulo de Reich. Lowen complementou a obra do mestre com o livro “O Corpo em Terapia”(1968) e teve uma brilhante influência na análise da formação de carácter. Escreveu perto de 10 livros e há escolas com sua influência em todo o mundo. Transformou o setting terapêutico ao qual o cliente permanecia deitado e o colocou em pé, quando introduziu o conceito de GROUNDING. Nos anos 60, ampliou a vegetoterapia com exercícios de stress com um banco terapêutico (stool). A base psicanalítica está presente em sua obra, especialmente na dinâmica da resolução do complexo edípico. A BIOENERGÉTICA fez uma transição ao longo dos anos, passando de uma linha com base na teoria dos instintos para uma abordagem mais relacional.

 

LIBIDO E O CONTACTO HUMANO – ESCOLAS INFLUENCIADAS PELAS RELAÇÕES OBJECTAIS

 

Uma vertente da terapia psico-corporal originada na Vegetoterapia é a PSICOLOGIA E MASSAGEM BIODINÂMICA, desenvolvida por GERDA BOYESEN, fisioterapeuta e psicóloga norueguesa; criou técnicas subtis e profundas de abordagem corporal por meio de massagens e manipulação corporal (BOYESEN, 1986); no seu livro “Entre Soma e Psique” explica a couraça visceral, repressões localizadas no funcionamento peristáltico do intestino (psicoperistaltismo). A digestão não processa só alimentos mas também emoções primitivas. O psicoperistaltismo é trabalhado a partir da escuta, feita pelo terapeuta, dos ruídos detetados por meio de um estetoscópio posicionado na barriga do cliente durante a massagem. O conceito de couraça visceral foi posteriormente utilizado por outras escolas com abordagens somáticas; Gerda dizia que “o cliente tem sempre razão”, mesmo se durante uma sessão ele ficasse a dormir. O facto de ela estar ao lado dele, acompanhando seu sono, tinha efeitos surpreendentes, que somente muitos anos mais tarde seriam compreendidos através de pesquisas da neuro-psico-biologia.

 

 

Também nos EUA surgiram outros mestres como JOHN PIERRAKOS (cuja escola tem o nome de CORE ENERGETICS) e STANLEY KELEMAN, fundador da PSICOLOGIA FORMATIVA, baseada na fenomenologia e na formação embriológica do ser humano. Seu livro Anatomia Emocional é um verdadeiro compêndio sobre a formação e desenvolvimento do ser humano desce a conceção, mostrando o corpo humano como uma jornada de crescimento e amadurecimento. Ele acredita que temos um corpo herdado e um corpo formado; ele baseou seus estudos na tipologia de W. SHELDOM.

 

Estes últimos autores apresentam suas abordagens na Psicologia do Ego (Melaine Klein, Fairbaim, Winnicott) e pelas escolas das relações objetais. Estas últimas abordagens não apresentam ênfase nos estágios de desenvolvimento da libido, mas sim na qualidade do contato entre as pessoas (BOADELLA, 1974).

 

 

Na BIOSSÍNTESE de David Boadella (escola inglesa), olhamos para a história evolutiva do corpo, compreendendo o significado das suas camadas germinativas e o seu desenvolvimento, da conceção em diante, em termos da sua morfologia dinâmica.

O enfoque desta abordagem terapêutica parte das camadas germinativas do embrião, sendo uma psicoterapia pré e perinatal. Trabalha com os chamados “reservatórios energéticos”, e com as couraças cerebral, muscular e visceral, utilizando em sua metodologia os “recursos” do cliente e a “ressonância” dentro do processo terapêutico.

 

 

De Reich até Boadella, temos quase 100 anos de Psicoterapias com abordagens somáticas. Filosoficamente fenomenológicas e existencialistas, elas olham para o corpo no “aqui” e “agora”, visão que Fritz Perls, na sua GESTALT TERAPY utilizou para trabalhar com dinâmicas de grupos; a sua visão da realidade era que o tempo que existe é apenas o agora; o passado já foi, e o futuro não existe. Em sua visão, a “consciência corporal” da nossa natureza no “aqui” e “ agora” é que nos devolve a capacidade de responsabilizar-nos pelo que fazemos e pelo que somos.

 Jacob Moreno criou o PSICODRAMA; Franz Alexander é considerado o pai da Medicina Psicossomática; Gerda Alexander, Moshe Feldenkrais, Isadora Duncan, Ida Rolf, criadora do ROLFING, trabalharam diretamente sobre o corpo com música ou exercícios, a fim de compreender os “insultos à forma” e restabelecer a graça e a saúde do corpo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

II  - ETAPAS DO DESENVOLVIMENTO E O DIREITO DAS CRIANÇAS : O VÍNCULO SADIO

 

De acordo com Boadella (1974), “ o amadurecimento do ser humano é um processo de passagem do maior período de dependência do reino animal para a independência”. Ele continua corroborando Winnicott, quando coloca “quatro etapas fundamentais no amadurecimento de qualquer mamífero.”

1º etapa – crescimento no útero da mãe e necessidade de attachment , onde a necessidade de conforto de pele e de contacto visual são mais importantes que a alimentação (experimento de HARLOW com macacos);

2º etapa – a criança precisa de sustentação na forma de alimento, cuidados físicos e tudo o que entendemos por maternagem; sem isto não sobreviverá pois depende totalmente da mãe. Os dois processos, o de vinculação e o de sustentação são distintos.

3º etapa – a criança precisa de oportunidades de exploração; se os processos de vinculação e de sustentação foram bem estabelecidos, seu afastamento da mãe para explorar o ambiente pode ser o primeiro passo para uma eventual independência. A brincadeira exploratória são os primeiros passos para aprender as habilidades necessárias para suprir seu sustento como adulto, que são a base para realização e satisfação no trabalho na fase adulta.

4º etapa – a necessidade de comunicação através de sinais verbais e corporais. O desenvolvimento de relacionamentos amorosos é baseado na capacidade de estabelecer intimidade e são transferências da ligação com a figuras parentais para a formação de novas alianças.

 

Relacionados as quatro etapas, LOWEN descreveu defesas de carácter em relação a cinco direitos primários que são violados por uma educação deficiente. São eles:

“ a) O direito de existir, que é estar no mundo como um organismo individual. Esse direito é geralmente estabelecido durante os primeiros meses de existência. Este direito está associado à oportunidade de estabelecer vínculo e está diretamente relacionado ao livre fluxo de energia e a primeira fase do ciclo de maturação. É a experiência de SER e VER.

 

b) O direito de estar seguro, que deriva da função de suporte e alimentação por parte da mãe durante os primeiros anos de vida. Este direito se relaciona com a sensação de ser preenchido (charged) e ao período de sustentação. É a experiência de ter e saborear.

 

c) O direito de ser livre, que é o direito de não ser submetido às necessidades do outro e d) o direito de ser independente, que a criança adquire através da sua autoafirmação e de sua oposição aos pais. Estes dois direitos estão associados com o ritmo (troca) livre da energia e com a fase da exploração e os primeiros movimentos em direção à independência. Estes dois direitos envolvem a experiência do fazer e criar.

 

e)O direito de desejar e de mover-se na direção da satisfação destes desejos de forma aberta e direta. Este direito tem um grande componente do ego e é o último dos direitos naturais a ser estabelecido; aparece entre os 3 aos 6 anos de idade, aproximadamente e está fortemente ligada as primeiras sensações sexuais da criança. Este direito está claramente associado a liberdade da criança comunicar seus sentimentos de forma direta, sincera e franca e é a quarta fase de maturação (fase da comunicação). Relaciona-se a experiência do dar e receber e ao tônus muscular.

 

Portanto, neurose é o colapso, uma falha nas condições de maturação e uma violação dos direitos básicos humanos. As defesas de carácter são operações de ajustamento, adaptativas e protetoras.”( BOADELLA 1974).

 

 

 

 

 

ETIOLOGIA DO APEGO E O VÍNCULO NA NATUREZA HUMANA

 

J. BOWLBY e M. AINSWORTH pesquisaram os estilos de vínculos e a conduta do apego, na demonstração de reconhecimento e aproximação da mãe pelas crianças. Para eles, o apego infantil é tão importante como o acasalamento e o comportamento parental: “nenhuma forma de comportamento é acompanhada de sentimento mais forte do que o apego. As figuras pelas quais ele é dirigido são amadas e a chegada delas é saudada com alegria. Assim a criança sente-se segura e tranquila. A ameaça de perda gera ansiedade e uma perda real, tristeza profunda.” (BOWLBY, 1990).

Existem etapas para a formação do vínculo: planeamento da gravidez, aceitação da gravidez, conscientização dos movimentos fetais, perceção do feto como uma pessoa separada. Vivência do trabalho de parto, nascimento. Depois do nascimento, o olhar da mãe para o bebe é de vital importância, assim como o toque. A qualidade destes dois contactos dão à criança a qualidade de ser e estar no mundo (FRANK LAKE).

Cuidar do bebe, providenciando-lhe toda a forma de conforto como alimento, calor, delicadeza nos movimentos e suavidade no toque, faz parte da formação do self da criança, e do seu reconhecimento como um ser querido, amado e admirado.

A aceitação do bebe como um ser individual na família, ajuda a criança sair da etapa da dependência total para a independência com bases mais seguras, com maior confiança em si, e capacidade de reparação.

De acordo com CATÃO (2000) e WINNICOTT (2000), a função materna pode ser desempenhada por outra pessoa que não seja a mãe; a comunicação se dá através de gestos, sorrisos e vocalizações. A interação adequada, proporciona à mãe ou ao cuidador, compreender as demandas do filho e atendê-las com maior segurança (interação adequada ajuda a sensibilidade da mãe).

A mãe que sabe o que o bebe precisa alimenta-o e protege-o dando-lhe segurança e saúde mental. Esta comunicação é essencialmente não-verbal, caracterizada pelo olhar e pelo contacto físico.

É da maior importância a disponibilidade do cuidador funcionando como ambiente para a criança. Quanto mais a mãe está disponível, mais os circuitos corticais se desenvolvem.

A interação, como já vimos, se dá através das relações visuais e afetivas que por sua vez marcam as estruturas cerebrais límbicas. Quanto maior a disponibilidade do cuidador, mais saudável é a forma com que a simbiose se estabelece. ALLAN SHORE (2005) fala-nos de uma comunicação entre os sistemas límbicos da mãe e da criança, onde se abre uma janela de perceção da qualidade energética da interação destes seres.

 

Segundo BOWLBY, quando a criança é separada da mãe nesta fase, as reações acontecem nesta ordem:

  1. Protesto forte;

  2. Desespero profundo;

  3. Renúncia (desistência);

  4. Adaptação (negação das necessidades);

 

A memória celular é o recipiente destas informações criando acomodações e adaptações ao ambiente intrapsíquico e interpsíquico.

 

 

BASE SEGURA

 

JEREMY HOLMES e JOHN BOWLBY afirmam que a busca de segurança é a maior de todas as buscas. A pré-condição para a sobrevivência é a existência do vínculo.

Doenças autoimunes podem aparecer em pessoas que não se sentem totalmente vinculadas. Na medida em que a falta de nutrição para suas necessidades básicas não é reconhecida, o corpo destrói os próprios tecidos (psoríase, vitiligo, esclerose múltipla entre outras).

 

 

Os indicadores para avaliar a qualidade do vínculo são:

- hipótese de continuidade entre padrões de relacionamentos de infância e representação mental.

- competência narrativa: como o adulto fala sobre sua vida, seu passado, seus relacionamentos e suas dores.

- capacidade de explorar e brincar.

- capacidade de protestar e afirmar-se.

- capacidade em lidar com perdas.

- como trabalha e lida com o tempo.

- capacidade reflexiva.

 

A base segura não é só um reflexo da figura externa; é reflexo também da representação interna do cuidador. O bom cuidador é a pessoa que cuida, que pode suportar protestos, que consegue ver a criança como alguém diferente dela na hora do sofrimento.

 

O estado psicofisiológico da base segura inclui:

- relaxamento

- calor

- proximidade

- estar saciado

- respiração estável

- pulso reduzido e calmo

 

A construção de uma base de segurança passa pela capacidade de vivenciar e introjectar pistas de limites para contenção autorreguladora e evitação de perigos.

Limites claros trazem segurança intena e introjeção de melhores enredos adaptativos.

 

 

A NEUROCIÊNCIA E PROCESSO DE VINCULAÇÃO

 

No artigo “União, Vínculo e Sintonia”, SHORE(2005) cita “O processo maturacional e o ambiente facilitador” de WINNICOTT (1960). O processo maturacional infantil acontece de melhor forma se o ambiente social for de suporte, e de pior forma se o ambiente for restritivo.

Este conceito relaciona-se ao “processo formativo e campo organizante” relacionados à teoria da Biossíntese.

SHORE enfatiza a relação entre genética ou processos cerebrais inatos (neurônios pré-programados para determinadas funções) e na aprendizagem social do cérebro através da “aprendizagem pela experiência”: novas aprendizagens podem levar a novo desenvolvimento cerebral.

O contacto face a face e o contato visual que embasa o crescimento, afetam diretamente os caminhos visuo-limbicos que resultam em novas mensagens para os genes nos neurônios. Os olhos parecem enviar sinais aos genes.

SHORE diz que: “pode haver morte sináptica resultante da privação ou super-stress durante períodos críticos do desenvolvimento, mas pode existir sinapto génese e biossínteses químicas nos neurónios, levando à “germinação de conexões nervosas”, quando novas aprendizagens acontecem.

Não apenas bons cuidados dos pais embasam o crescimento do bebe (do corpo, cérebro e self) mas também o fluxo de contacto com o bebe para a mãe pode também estimular novo crescimento neurológico (nela própria).

Os canais de contacto descritos acima através dos diferentes caminhos sensório - percetuais são o primeiro ambiente que a criança descobre.

 

 

 

 

REGULAÇÃO MÚTUA E AUTO-REGULAÇÃO - VINCULAÇÃO

 

A criança passa pelos estágios de autismo, simbiose, separação e individuação (MAHLER, 1975). O centro de regulação emocional (córtex orbito-frontal) desenvolve-se a partir de um ano de idade e amadurece aos 18 meses, portanto a regulação da vida emocional da criança antes desta idade depende da regulação que vem da mãe. Este intercâmbio ajuda a gerenciar as experiências do self emergente.

As funções reguladoras da mãe apresentam dois aspetos: vitalizantes e calmantes, sendo as vitalizantes: gratificações da excitação, brincadeiras, exploração, encorajamento dos afetos da vitalidade e as funções calmantes: processos de acalmar a excitação, conforto no choro, dar contenção à raiva, tranquilizar a ansiedade.

 

É na teoria da vinculação que encontramos a relação entre manifestações de psicopatologia e alteração dos processos de vinculação. Essa relação acontece através dos “mecanismos intermediários da relação afetiva” que tem lugar na saúde mental; esses mecanismos são: “as expectativas de eficácia pessoal ou do autoconceito, as estratégias de coping, distorção cognitiva na perceção de acontecimentos pessoais e o mecanismo de regulação do afeto. O papel do conceito de si próprio assume importância na perspetiva de que a vinculação sensitiva e respondente não é só uma base de segurança, a partir do qual o indivíduo pode explorar o meio, mas também um elemento capaz de produzir a sensação de que o indivíduo é capaz de despertar cuidados por parte dos outros, aumentando-lhe as expectativas de eficácia pessoal, que se generalizam a outros contextos. Por outro lado uma figura inconsistente ou rejeitante produz a sensação de incapacidade para gerar capacidades adequadas por parte dos outros, o que acaba por se traduzir em expectativas de ineficácia individuais e em baixo autoconceito. As estratégias de coping atuariam no sentido em que a figura de vinculação nem sempre exibe permanentemente comportamentos adequados às necessidades do indivíduo ou pode ser inconsistente na resposta, o que pode gerar ansiedade no indivíduo. No caso das distorções cognitivas na perceção de acontecimentos interpessoais, isto encontra-se subjacente na vinculação insegura, uma vez que estas pessoas estão especialmente predispostas a interpretar acontecimentos interpessoais indutores de stress como rejeições (CANAVARRO, 1999, cit. por HAMMEN et al., 1995) ou como mais uma evidência da sua falta de competências sociais, podendo surgir, como resultado, sintomatologia depressiva ou outro tipo de psicopatologia. Rosenstein e Horowitz (1996:246) referiam que “a vinculação evitante é característica das perturbações em que a ansiedade é evitada, o afeto é contido e a expressão do comportamento disfuncional é diretamente expressa em direção aos outros (como acontece nas perturbações do comportamento ou no distúrbio da personalidade); a vinculação ansiosa é característica das perturbações em que há consciência da ansiedade sentida, o afeto não é modelado e o comportamento disfuncional é diretamente expresso em relação a si próprio (como acontece nas depressões, perturbações mediadas pela ansiedade e distúrbio da personalidade histérica)”.”[1]

 

Então, a regulação interpessoal da mãe ou do cuidador, pode ser internalizado pela criança através do processo de “acalmar a si mesmo” que está relacionado à capacidade intrapessoal de autorregulação através da contenção durante a maturação do cérebro direito.

O “modelo de trabalho interno” de BOWLBY (1969) de um pai/mãe suficientemente bons ajuda o ser em desenvolvimento a lidar com reveses futuros. Estes working models são representações das relações de vinculação, que englobam componentes afetivas e cognitivas, e resultados de representações e generalizações relativamente estáveis e não conscientes e passíveis de modificação através de experiências concretas.

 

KOHUT na sua Psicologia do Self (1971) relaciona este modelo de trabalho interno com uma memória e imagem interna do outro significativo: o outro significativo é o self-objeto. O lócus cerebral do modelo de trabalho interno é o córtex orbito-frontal, que ajuda no amadurecimento dos sentidos de empatia, consciência e consciência ética do outro. Está particularmente relacionado com esperanças, desejos, sonhos e imagens.

 

A criança precisa de um pai que a possa reconhecer, espelhar, amplificar e apoiar o seu entusiasmo pela harmonização; este é um exercício exploratório para mais tarde contrabalançar, no caso de a criança necessitar de uma contenção – um “acalme-se agora” – ou o que Boadella apelida de “vergonha sadia”, ou seja, uma forma da criança percecionar que o que está a expressar é desconfortável - a dança da permissão/contenção.

 

 

DISTÚRBIOS

 

Trauma Relacional: relações mal adaptadas, vínculos inseguros (BOWLBY) e desarmonia severa (STERN) resultam em padrões de maior desagregação, perturbando todo o corpo.

Vínculo Inseguro de Evitação: pode levar à retirada da energia na forma de uma espécie de autismo narcisista (personalidade esquizóide).

Vínculo Inseguro de Resistência: borderline, os pacientes apresentam alta prontidão, raiva incontida e tendência para a fragmentação;

Vínculo Desorganizado ou Disfuncional: ódio frio do psicopata antissocial (personalidade sociopata, com grandes privações e negligências, associadas a baixos níveis de prontidão). O medo traumático pode causar forte dissociação e desorganização;

Narcisismo Social: a educação do self e os comportamentos não empáticos não são regulados; não existe regulação tropho-trópica, ou seja, não existe função reguladora da vergonha não patológica. ( SHORE 2005)

 

 

RELAÇÕES DO VÍNCULO INFANTIL E O APEGO ADULTO

 

BERMAN (1994) , fala sobre o apego adulto como uma “tendência estável de um indivíduo em fazer esforços substanciais para procurar manter proximidade e contacto com um ou alguns indivíduos específicos , que forneçam o potencial subjetivo para a segurança física e/ou psicológica; esta tendência é regulada pelos modelos operativos internos”.

WEST e KELLER (1994), falam de “relacionamentos diádicos aos quais a proximidade a uma outra pessoa especial é procurada ou mantida, a fim de alcançar uma sensação de segurança”

 

A definição de apego adulto deve preencher três requisitos:

1º deve ser teoricamente congruente com a definição de apego na infância;

2º deve delinear como o apego adulto difere do apego da infância;

3º deve diferenciar o apego de qualquer outro relacionamento social.

 

O apego da infância acontece quando o relacionamento existe primariamente a fim de preencher as necessidades da criança enquanto que no apego adulto, os relacionamentos existem para preencher as necessidades de ambos os membros do casal; os relacionamentos são recíprocos e envolvem dar e receber.

O apego adulto envolve a interação de três sistemas de comportamento (Hazan e Zeiffman, 1994):

  1. O sistema de apego – ajuda a manter a proximidade com o cuidador;

  2. O sistema provedor – permite ao cuidador atender e responder aos sinais e necessidades da pessoa apegada.

  3. O sistema sexual/reprodutor – que encoraja e permite a reprodução.

 

 

 

ESTILOS DE APEGO ADULTO:

 

Seguro – valorização dos relacionamentos íntimos com a expectativa de que outras pessoas são geralmente recetivas, capacidade de manter os relacionamentos sem perder a autonomia pessoal. Há coerência ao discutir relacionamentos em geral e reflete uma visão positiva tanto de si como dos outros.

Preocupado – desvalorização pessoal, combinada com uma avaliação positiva do outro; esforça-se por obter uma autoaceitação através da aquisição da aceitação do outro. Super envolvimento nos relacionamentos íntimos. Há uma tendência a idealizar as pessoas; apresenta tanta incoerência quanto emoção exagerada ao discutir relacionamentos em geral.

Temeroso - senso de desvalorização pessoal, combinada com uma expectativa de não confiabilidade e de rejeição por parte do outro. Evita qualquer tipo de relacionamento íntimo, pois projeta a si mesmo contra uma rejeição antecipada do outro.

Rejeitador – senso de amor/valor (visão positiva de si), combinado com uma disposição negativa em relação ao outro. Protege a si mesmo contra desilusões, evitando relacionamentos íntimos e mantendo independência e autoconfiança “falsas”. Campo emocional restrito e peca pela falta de clareza ou de credibilidade na discussão sobre relacionamentos.

 

                                                

                                  MODELO DE SELF – QUATRO CATEGORIAS DO MODELO ADULTO

 

                                                    

                                                           POSITIVO                                              NEGATIVO

 

                                                    Célula 1: Seguro                                  Célula 2: Preocupado

 

    POSITIVO                       Confortável com intimidade                          Preocupado com

                                                        e autonomia                                          relacionamentos

                                                     

MODELO DO OUTRO

                                                      Célula 3: Rejeitador                            Célula 4:  Temeroso

  NEGATIVO                    

                                               Contrário à dependência                          Evita o contacto social

                                                 Rejeita a intimidade                                   teme a intimidade

 

 

 

 

 

CONCLUSÃO

 

A qualidade do vínculo estabelecido primariamente determinará, então, os vínculos futuros e os recursos disponíveis para enfrentamento e elaboração de rompimentos e perdas. Isto é muito importante para considerarmos condições de elaboração do luto.

Quando o vínculo é rompido, os recursos de que o indivíduo dispõe para esta elaboração devem ser buscados na qualidade do vínculo anteriormente existente. Isto predispõe o individuo a amadurecer, proporcionando uma colheita que servirá de base segura para o encontro de uma nova etapa.

 

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

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DAMÁSIO, Antonio , O sentimento de Si, Editora                 , São Paulo, 2004

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Artigos

A Vegetoterapia Caractero-Analítica como Método Clínico: Contribuições Reichianas para a Psicossomática, Périsson Dantas do Nascimento,

Afecto, Vínculo e Sintonia: Diálogo com os 3 Volumes do Trabalho de Allan Shore, David Boadella in Energy and Character, vol. 34, Setembro 2005.

Contributos da Investigação sobre a Vinculação em Portugal, Isabel Soares, Lisboa, 2006.

Desenvolvimento Emocional Primitivo e  Materna Primeira: Seminário de Winnicott, Luiz Márcio Machado in Sociedade Sigmund Freud, Brasil, Julho 1990.

O Avanço da Psicoterapia Corporal, Rubens Miguel in Revista Mente e Cérebro, edição 153, Outubro 2005.

O Resgate do Vínculo Mãe-Bebe em Casos de Maus Tratos: Histórias de uma Enfermaria de Queimados, Carolina Marco Esteves, Rio de Janeiro, 2000.

 

 

 

 

 

 

[1] Carla Santos, Carla Trindade, Margarida Rita, Paulo Martins e Wilson Camões, Relações Afetivas na Vinculação, p. 2. Este artigo pode ser visitado online em http://nosnacomunicacao.com.sapo.pt/relacoesafectivasnavinculacao.htm.

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